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O diploma é fundamental Jairo Faria Mendes
O trabalho com a informação não pode ser visto da mesma forma que a produção de bens materiais, como, por exemplo, sapatos. A informação é um dos bens mais valorizados em uma sociedade de massas. E, diferentemente da produção de sapatos, ela não possui matérias primas tão definidas. A sua matéria prima é a realidade. Dela o jornalista dará uma versão, mas que para o público será recebida como se fosse a verdade. O jornalista sempre é obrigado a tomar decisões importantes, como: O que mostrar (e como?) e o que omitir? As informações são verdadeiras? Quais as conseqüências da divulgação dessas informações? Quais interesses estão por trás dessas informações? Como manter distanciamento do fato? O melhor lugar para preparar um profissional para responder, não só estas perguntas, mas inúmeras outras que surgirão no processo de produção da notícia, é um curso superior de jornalismo. Lá ele vai não só aprender e exercitar técnicas, mas refletir sobre o trabalho jornalístico. Compreender melhor o processo comunicativo mediático para poder tomar decisões conscientes e responsáveis em seu trabalho com a informação. Ter uma visão global do processo, bem diferente da "microvisão" do prático. Exigir o diploma de jornalismo não é uma atitude corporativista, qualquer pessoa pode fazer o curso e se qualificar para o exercício da profissão. Existem inúmeras faculdades de comunicação, não só nos grandes centros, mas também em cidades do interior. A obrigatoriedade do diploma também não excluiria dos meios de comunicação os cientistas e intelectuais. Eles continuariam contribuindo com artigos, crônicas, ensaios, críticas. Além de serem importantes fontes de informação. O processo de qualificação profissional através de um curso superior é muito mais racional e democrático do que a forma que os jornalistas entravam no mercado. Caso não fossem de famílias tradicionais, eles eram obrigados a implorar um emprego nas gráficas dos jornais, a porta de entrada para o exercício da profissão. Dali eles teriam que percorrer um longo caminho e precisariam contar com a boa vontade de seus superiores para irem subindo para cargos melhores. Para a revisão, copy-desk, até se tornarem repórteres policiais. Um caminho por onde eles aprenderiam todos os processos de produção do jornal, mas também ganhariam muitos vícios. Se tornariam extremamente vaidosos, olhariam para os iniciantes com um ar paternal de piedade. Mas este não é o pior dos vícios. Em cidades de interior, em que praticamente não existem jornalistas formados, é triste ver os parâmetros éticos que são seguidos por estes profissionais. Todos buscam seus "jabás". Neste locais, existem alguns talentos entre esses jornalistas práticos. Mas são muito raros. Como diz a Bíblia, "é mais fácil um camelo passar num buraco de uma agulha...". Por outro lado, existem profissionais totalmente despreparados, apesar de estarem há muitos anos exercendo o jornalismo. O fim da obrigatoriedade do diploma seria muito bom para as empresas jornalísticas. Poder-se-ia empregar parentes, apadrinhados. Haveria sempre pessoas para trabalhar praticamente de graça, já que alguns meios não têm grandes preocupações com a qualidade. Seus profissionais seriam mais fiéis, considerando que o processo de ascensão privilegiaria os mais obedientes. Para os empresários (e para o neoliberalismo) seria bom que o fim da obrigatoriedade do diploma fosse estendido a todas as profissões. Que nos hospitais os funcionários começassem na limpeza, depois se tornassem enfermeiros e, à medida que os anos fossem passando, começassem a medicar, fazer pequenas cirurgias, até se tornarem grandes médicos. Mas claro que eles também precisariam estudar, fazer alguns cursos de fins-de-semana. Os engenheiros começariam com serventes de pedreiro. Os office-boys do Fórum seriam os futuros juízes. Com isso, também acabariam as universidades. No seu lugar seriam criados cursos profissionalizantes bem curtos, que seriam muito mais rentáveis para as escolas. E para os alunos, que em poucas semanas estariam "qualificados" para ocupar importantes funções. Jairo Faria Mendes é mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro |
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