Você, que é leitor do Estadão, sabia
que o jornal foi condenado a pagar 80 salários mínimos de indenização ao ex-senador do PSB [e não do PT, como está na versão impressa] José Paulo Bisol? Todo leitor do Estadão só ficou sabendo disso meses depois, quando, em 23/5, o jornal adotou mais uma vez a doutrina Ricupero seguida pela mídia brasileira para tratar seus problemas na Justiça: quando perde, esconde dos leitores; quando ganha, dá a notícia. O jornal recorreu, ganhou no Tribunal de Justiça, e anunciou: "Bisol perde ação contra o ´Estado´".
Só então o Estadão contou que a "a decisão de primeira instância acolhera a ação para condenar o jornal, por uma única das reportagens publicadas, a da aposentadoria de Bisol como desembargador. Essa condenação previa indenização equivalente a 80 salários mínimos".
O ex-senador Bisol abriu processos contra vários jornais, entre eles a Folha e o Estadão, por noticiário que considerou difamatório e calunioso a propósito de emendas que apresentara ao orçamento da União em benefício de uma cidade de Minas onde tem uma fazenda. Bisol queixou-se de "linchamento moral".
Na época, ele era candidato a vice-presidente da República na chapa de Luiz Inacio Lula da Silva. A Folha foi condenada em primeira instância e deu a notícia (Leia no nº 3, "Folha é condenada a pagar indenização a Bisol"). O Estadão omitou a derrota mas divulgou a vitória. Segundo o jornal, "ao acolher o recurso do Estado, o Tribunal de Justiça julgou a ação totalmente improcedente e condenou o ex-senador a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios".
O Estadão é mestre neste ilusionismo de fazer uma notícia ruim desaparecer como uma abóbora e trazê-la à luz em forma de Cinderela. O jornal tem escondido dos leitores as ações que perdeu na Justiça para o ex-governador Orestes Quércia (Leia no nº 5, "Jornal omite derrotas e canta vitórias"). Quando ganha, faz da notícia um editorial de exaltação ao papel de vigiância da imprensa - exceto sobre seus próprios erros e derrotas judiciais.
O diretor regional na cidade de Bauru do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Vanir Daniel, foi preso em flagrante, em 9/5, sob a acusação de extorquir o prefeito José Camarinha. O prefeito avisou a polícia que o diretor do Sindicato dos Jornalistas cobrara R$ 120 mil para não criticar a administração municipal no jornal O Popular (Estadão, 10/5).
O ex-superintendente de Comunicação de Rondônia, Robson Oliveira, teve a prisão preventiva decretada, em 28/5, sob a acusação de desviar R$ 1,4 milhão da Companhia de Energia do Estado. O governador Valdir Raupp saiu em defesa do jornalista, com o argumento de que Oliveira repassou o dinheiro para empresas de comunicação e de publicidade. "Se fosse para resultar em prisão, todos os 46 donos de jornais deveriam estar presos", disse o governador (Jornal do Brasil,28/5).
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