As escolas de jornalismo não
são melhores nem piores que as más escolas que formam o tenebroso
pano de fundo do atual estágio de nosso processo educativo.
Nas empresas, desde que se registra o fenômeno da ascendência
da tecnoburocracia de resultados impondo seus fliperamas organizacionais
sobre as atividades-fim, subjugando-as às atividades-meio, tornou-se
mais importante o cilindro de uma rotativa do que um grama de inteligência.
Entre os jornalistas, digamos, praticantes, a importância de
salvaguardar cidadelas conquistadas ou de conquistar novos nichos de poder
sobrepõe-se à importância da aquisição
e renovação de conhecimentos.
Quer dizer que não temos saída e estamos condenados à
decadência? Não. E o fato de estar discutindo isso publicamente
é a melhor prova de que os sinais vitais do organismo estão
preservados.
Como escreveu no jornal O Globo recentemente o jornalista Alberto Dines,
"salutar ebulição com duplo sinal: sintoma inequívoco
de alguma disfunção e, igualmente, indício de uma
cura. Ou, pelo menos, vontade de curar-se".
E é extremamente importante que esse debate se faça exatamente
no momento em que está em marcha acelerada aquilo que alguns chamam
de revolução digital, e que o venerando - e em alguns meios
venerado - economista John Kenneth Galbraith prefere, moderadamente, considerar
uma evolução, um passo à frente de revoluções
que já se fizeram. |
O
velho e bom jornal de papel se transformará, então, num definitivo
quality paper, instrumento imprescindível de reflexão, do
debate e da circulação de idéias, e da informação
mais aprofundada e mais depurada? Este pode ser um caminho.
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