Não existe praia em Ibiúna, que, como se sabe, é cidade mediterrânea; não foram 22% e sim 4% os entrevistados que almoçaram lasanha no domingo; foi Noé, e não Jó, quem construiu a Arca de Noé...Diariamente, os leitores da Folha de S. Paulo podem conferir na seção Erramos, em baixo do Painel do Leitor, impropriedades impressas pelo jornal em edições anteriores. A Folha se expõe como o único grande jornal brasileiro que corrige erros graves e banais , como os citados acima, e uma infinidade de datas, porcentagens e até gols trocados em títulos e matérias. De 24 de março a 22 de abril, Erramos publicou 108 correções. O pente fino que a Folha faz diariamente em suas edições, realizado por uma equipe específica e colaboradores como o ombudsman Marcelo Leite e os leitores, às vezes é motivo de piada, quando deveria ser imitado. Seu maior concorrente, o Estadão, fez, no mesmo período de 30 dias, apenas cinco correções ostensivas - uma delas nas palavras cruzadas, outra sobre o autor de uma ilustração.... A anedota é que o Estadão não corrige porque não erra. Uma leitura superficial detectou, no entanto, erros não admitidos: o presidente da Fundação Palmares chama-se Joel e não Jair Rufino dos Santos (dia 15/4); 42,1% de 3719 são 1565 e não 1158 (6/4) ; e subversões ortográficas como a do título do editorial “A hora e a vez dos sociais-liberais” (o certo é social-liberais). Em 6 de abril o Estadão chamou açaí de sopa, que é o mesmo que definir chimarrão como caldo de mate. No dia 11, o leitor podia escolher, nas páginas A14 e B24, qual foi, em 1994, o prejuízo da empresa que administra o Eurotúnel: além de publicar a matéria em duas editorias, o jornal ofereceu dois números distintos, US$ 750 milhões numa página e US$ 622 milhões na outra.
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