Instituto Gutenberg


A imprensa fiscaliza o governo. A imprensa fiscaliza os juízes. A imprensa fiscaliza os artistas. A imprensa fiscaliza os empresários. A imprensa fiscaliza os políticos. A imprensa fiscaliza os jogadores de futebol. A imprensa fiscaliza os guardas de trânsito. A imprensa fiscaliza os padres e os bispos. A imprensa fiscaliza os funcionários públicos. A imprensa fiscaliza o cinema e o teatro. A imprensa fiscaliza os professores... A imprensa só não fiscaliza a imprensa.
Quem fiscaliza a imprensa?

O Instituto Gutenberg foi criado por jornalistas, em 1994, homenageando o alemão genial que inventou os tipos móveis da imprensa, com a missão de ser um crítico independente da mídia. O Instituto é apartidário e não-lucrativo e antes de qualquer juízo de valor defende a liberdade de imprensa como um valor da sociedade, tanto quanto a liberdade de expressão, de religião, de organização e os direitos individuais que dão sentido e vigor a uma nação civilizada.

A iniciativa é oportuna porque não só o país goza atualmente das mais amplas liberdades democráticas de sua história, como a imprensa, desfrutando desta liberdade, está forte e aguerrida em seu papel de necessário fiscal do poder público. Mas achamos que a mídia deve aplicar os manuais que ela mesma criou. Se vai publicar, deve investigar. Se investigar, deve checar. Se errar, deve corrigir. Se o fato envolve A e B, deve citar os dois, e não apenas A ou apenas B. Se acusar alguém, deve publicar o nome do acusador, e não apenas o do acusado. E quem não gostar do que ler, deve ter direito de resposta imediato.

Nesse xadrez ético, a imprensa mantém sua liberdade, e os leitores, fontes de informação e cidadãos em geral fazem valer seu direito de serem bem informados e respeitados na sua vida pública ou privada. Temos certeza de que ajudaremos a imprensa a ser mais correta e a recuperar a credibilidade. Afinal, o público está acreditando mais nos anúncios que nas reportagens.

Análises técnicas da mídia, tal como fazemos, não teriam sentido se a imprensa sofresse alguma restrição em sua tarefa de informar, e o público estivesse limitado em seu direito de ser informado. Análises e debates sobre a mídia são comuns na pátria da liberdade de imprensa, os Estados Unidos. Uma infinidade de jornais abre-se em corretivo diálogo com o público, através dos ombudsmen, prontos para discutir seus métodos e eliminar seus equívocos, enquanto outros tratam sua própria atividade como notícia.

Os maiores jornais americanos, como The New York Times, The Washington Post e Los Angeles Times, publicam rotineiramente notícias da mídia e têm seções de correção onde os erros não prescrevem. As escolas de jornalismo mais respeitadas, como as de Columbia e Washington, publicam revistas críticas sobre a mídia americana.
Em muitos países( como Austrália, Inglaterra, Canadá, Chile, Turquia, Nigéria, Áustria, Suécia, Sri Lanka, Noruega, Finlândia, Alemanha , Estados Unidos), a própria imprensa mantém conselhos de ética a que o público pode recorrer para reclamar de uma notícia deformada. Organizações de crítica de mídia como o Instituto Gutenberg ganham a simpatia e a colaboração dos leitores nos Estados Unidos, França, Itália, Austrália e uma infinidade de países. Tal como lá, aqui notícia também é notícia.

O Instituto Gutenberg é mantido por contribuições e com a venda de assinaturas especiais de seu boletim bimestral. Essa fórmula permite que cumpra sua vocação pedagógica e de provocador e estimulador de debates sobre ética e procedimentos da mídia.

O Instituto Gutenberg reúne jornalistas, advogados, empresários, políticos e outros profissionais.O líder do projeto é o jornalista Sérgio Buarque de Gusmão, com longa experiência na imprensa. Além de exercer outros cargos, foi editor das revistas IstoÉ e Veja-SP, editor e integrante do Conselho de Redação do semanário Movimento, chefe de redação em São Paulo do Jornal do Brasil e do Globo, editor-executivo de O Estado de S. Paulo e diretor da agência de notícias AJB (Jornal do Brasil). É co-autor de livros sobre temas brasileiros e , como crítica de mídia , de Jornalismo de In(ve)stigação, Editora Civilização Brasileira, 1993. Integrou a equipe da revista Realidade que ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo de 1971 e tem dado conferências e participado de debates sobre a mídia em escolas de comunicação e seminários sobre jornalismo no Brasil e no exterior.

Conselho Editorial
Presidente honorário: Dom Paulo Evaristo Arns
Augusto Nunes, Caco Barcelos, Ewaldo Dantas Ferreira, Hamilton de Souza, Jair Borin, José Carlos Ruy, José Marques de Melo, José Roberto Batochio, José Roberto de Alencar,Paulo Markun,Paulo Shayer Lyra, Sérgio Buarque de Gusmão, Sergio Gomes
Ênio Silveira
(in memoriam)




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