IdéiasOs astros da redação Um time de famosos e brilhantes que um dia trabalharam como jornalistas Montar uma redação com os grandes nomes do jornalismo brasileiro é mais difícil do que escalar a seleção de futebol de todos os tempos. Para começar, não há reis de indicação indiscutível, como Pelé. A seguir, vem a dificuldade de que muitas cabeças coroadas do jornalismo, hoje avaliadas pelo destaque que conquistaram na literatura ou na política, têm a biografia manchada por fatos sólidos ou preconceitos de papel. Nas duas tarefas, no entanto, o organizador da lista tem um doce pesadelo: craques demais, da bola e das pretinhas.Nosso propósito não foi escalar a “redação dos sonhos” ou a melhor das melhores, mas apenas um time de famosos e brilhantes que um dia trabalharam como jornalistas. Os critérios são, evidentemente, arbitrários, e não refletem somente a admiração pessoal. Levam em conta o panorama geral da imprensa brasileira, com atenção para as peculiaridades da época em que esses luminares enalteceram as redações. Como se verá, a projeção posterior da maioria deles em outras funções influenciou a escolha para um determinado cargo. Na lista só entraram mortos, nacionalmente famosos, que desempenharam funções jornalísticas, como revisor, repórter, redator ou articulista fixo e remunerado— com exceção dos abundantes cronistas de assuntos gerais.
O primeiro critério exclui, felizmente, uma plêiade de extraordinários profissionais em atividade. O segundo inclui gigantes como Machado de Assis, mas deixa fora da lista príncipes do texto como Guimarães Rosa, um repórter das paisagens e das gentes de Minas Gerais, que fazia investigações minuciosas para seus livros de ficção. O critério da fama, no jornalismo ou fora dele, dá sentido à lista.
Algumas escolhas são tão caprichosas quanto a estrutura da redação imaginária, ainda que se tenha tentado seguir o formato atual dos grandes jornais. Se foi difícil escolher um editor de Política (Carlos Castelo Branco? Joaquim Nabuco? Carlos Lacerda? José do Patrocínio? Quintino Bocaiúva?), a dificuldade de escalar o editor de Informática residiu na carência de nomes. Outras preferências remetem para o humor, como a do editor de Turismo. E há as que ajustam o nome ao cargo como a mão à luva — caso do revisor. Como esta lista não atende à moderna prática das quotas, nem é política ou sexualmente correta, só há uma mulher na equipe. A escolhida era do ramo: foi redatora do Suplemento Feminino d´A Tribuna, de Santos (SP), um luxo para o jornal.
O resultado final é uma redação com muito cacique e pouco índio, o que não está fora da realidade atual. Para guardar alguma proporção com o exército de editores, selecionamos seis repórteres. Confira nas duas páginas seguintes e, como é inevitável, discorde ao menos de alguns nomes. Agora que o caminho foi aberto, faça também a sua lista.
Boletim nº 20 Janeiro-Fevereiro de 1998
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