DIRETOR DE REDAÇÃO
Edmundo
Bittencourt
A IMPRENSA
CORREIO DA MANHÃ
Em 15 de junho de 1901, o Brasil ganhou seu primeiro grande jornal,
opinativo por excelência. O fundador Edmundo Bittencourt (1866-1943),
gaúcho, advogado, instruído e aristocrático, compreendeu
que o papel de um jornal é dar notícias, emitir opiniões
e defender o interesse público, e não trançar conchavos
eleitorais e alugar-se aos governos, como era a praxe na República
Velha.
REDATOR-CHEFE
Claudio Abramo
ESTADÃO FOLHA
Excepcional organizador de jornais, Claudio Abramo (1923-1987) fez
duas reformas vitais na imprensa brasileira: a do Estadão, nos anos
50 e 60, e a da Folha, nos anos 70. Tirou os dois grandes diários
do amadorismo provinciano para o profissionalismo cosmopolita. Sabia montar
equipes, distribuir tarefas e planejar coberturas. Era um profissional
completo, no jornalismo e na organização da redação.
EDITOR-EXECUTIVO
Quintino Bocaiúva
O PAÍS A REPÚBLICA
Ele foi chanceler de Deodoro, governador do Rio, senador, mas sua grande
vocação era a imprensa. Quintino Bocaiúva (1836-1912)
começou no andar de baixo, como tipógrafo, e, já advogado,
se pôs a fundar jornais. Dos gigantes da imprensa na época,
incluindo-se Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, foi o jornalista
por excelência. Sob sua direção, O País chegou
a vender, em 1890, 32 mil exemplares.
EDITOR DE POLÍTICA
Tancredo Neves
ESTADO DE MINAS
Aos 19 anos, Tancredo Neves (1910-1985) foi escolhido por Assis Chateaubriand
para secretário de redação do jornal Estado de Minas.
Da equipe faziam parte Pedro Aleixo, depois de vice-presidente da República,
e o futuro deputado José Maria Alkmin. Como editor de Política,
Tancredo saberia avaliar como poucos a importância e veracidade de
uma notícia, e editaria um noticiário pluralista.
EDITOR DE INTERNACIONAL
Barão do Rio Branco
A NAÇÃO
JORNAL DO BRASIL
José Maria da Silva Paranhos Jr., o Barão do Rio Branco
(1845-1912), sinônimo de rua, diplomacia e dinheiro, foi um jornalista
apaixonado antes de se tornar a maior figura do Itamaraty. Advogado, ministro
das Relações Exteriores de 1902 até a morte, fundou
jornais de combate e escreveu para o Jornal do Brasil a célebre
coluna "Efemérides". Exterior era com ele.
EDITOR DE CIDADES
João do Rio
GAZETA DE NOTÍCIAS O PAÍS
De nome principesco, João Paulo Emilio Custódio dos Santos
Coelho Barreto (1881-1921) construiu com o pseudônimo de João
do Rio a fama de repórter da cidade. Foi um dos primeiros investigadores
modernos: ia para a rua apurar fatos quando a moda era ouvi-los e reinventá-los
em crônicas. Sua série de reportagens para a Gazeta sobre
cultos populares rendeu o livro As religiões do Rio.
EDITOR DE POLÍCIA
Nelson Rodrigues
DIÁRIOS ASSOCIADOS ÚLTIMA HORA
Nelson Rodrigues (1912-1980) ficou mais conhecido no jornalismo como
cronista de esportes, mas começou na profissão, aos 14 anos,
como repórter de polícia. Os dramas suburbanos do grande
dramaturgo brasileiro, e a coluna A vida como ela é, na Última
Hora, fariam dele um editor de Polícia fascinado pela viga-mestra
deste noticiário: a condição humana.
EDITOR DE PROJETOS ESPECIAIS
Victor Civita
ABRIL
A partir do Pato Donald, em 1950, Victor Civita (1907- 1990)
fundou um império editorial que renovou e engrandeceu o jornalismo
brasileiro, com publicações como Quatro Rodas, Claudia, Realidade
e Veja. Mudou a paisagem das bancas com fascículos e preciosas coleções
populares, entre as quais se destacam Os Pensadores, uma série sobre
filósofos que vendeu 4 milhões de volumes.
EDITOR DE ESPORTES
Samuel Wainer
DIÁRIOS ASSOCIADOS ÚLTIMA HORA
Conhecedor do gosto do público, Samuel Wainer (1912-1980) foi
uma exceção na elite da imprensa: valorizava, porque lia,
o noticiário esportivo. "Minha intimidade com esse assunto era total".
Criou cadernos, aumentou as fotos e publicou pôsteres dos clubes.
Confessou em suas memórias: "Se não gostasse tanto de futebol,
jamais poderia ter fundado um jornal como a Última Hora".
EDITOR DO SEGUNDO CADERNO
Machado de Assis
CORREIO MERCANTIL DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO
Mais que um colaborador de dezenas de jornais e revistas, para os quais
escreveu crônicas e folhetins a mancheias, o grande escritor brasileiro
atuou como jornalista na condição de revisor do Correio e
repórter parlamentar do Diário. Isso mesmo: Joaquim Maria
Machado de Assis (1839-1908) foi setorista do Senado. Trataria com profundidade
e graça os assuntos de variedades. Não faria cotações
do tipo "Não leia" para livros ou "fuja" para filmes.
EDITOR DE ECONOMIA
Mario Henrique Simonsen
EXAME VEJA
Sua genialidade seria um desperdício para tirar o noticiário
da indigência em que se afunda há anos. Mario Henrique Simonsen
(1935-1997) foi articulista fixo de Exame e colaborador de Veja com artigos-reportagens
sobre economia e música. Como jornalista, seria um perfeito editor
de notícias sobre manipulações de índices de
inflação e os maus efeitos do déficit público
na vida dos cidadãos.
EDITOR DE TURISMO
Afonso Celso
JORNAL DO BRASIL
Fundador do Jornal do Brasil, o conde Afonso Celso (1860-1938) foi um
escritor prolífico, professor e advogado famoso. Do contra, foi
republicano na monarquia e monarquista na República. Escreveu muito
para os jornais, sobre o Brasil e o mundo. Editaria a seção
de Turismo om o viés de seu livro Por que me ufano do meu país.
Mandaria os brasileiros para o Nordeste em vez de Miami.
EDITOR DO SUPLEMENTO INFANTIL
Monteiro Lobato
ESTADÃO DIÁRIOS ASSOCIADOS
Aos 14 anos, quando escreveu crônicas para O Guarani, de Taubaté
(SP), Monteiro Lobato (1882-1948) pôs um pé no jornalismo.
Despontou escrevendo uma carta para a seção "Queixas e Reclamações",
do Estadão, contra as queimadas na agricultura, e depois tornou-se
colaborador do jornal paulista e funcionário dos Diários
Associados.
EDITORA DO SUPLEMENTO FEMININO
Patrícia Galvão
A TRIBUNA DIÁRIO DE SÃO PAULO
Escritora de talento, revolucionária nas idéias e nos
costumes, Patrícia Galvão, a Pagu (1910-162), foi repórter,
redatora, colunista (escreveu sobre as mulheres e uma das primeiras colunas
de televisão, nos anos 50, na Tribuna, de Santos-SP). Tiraria o
Suplemento Feminino das amarras das prendas do lar.
OMBUDSMAN
Lima Barreto
FLOREAL CORREIO DA MANHÃ
Colaborador de jornais e revistas, o romancista e contista Afonso Henriques
de Lima Barreto (1881-1922) escreveu reportagens para o Correio da Manhã,
mas teve seu nome vetado depois que retratou o jornal no romance de crítica
de mídia Recordações do escrivão Isaías
Caminha. O livro é uma sátira ao Correio e uma cacetada literária
no jornalismo do começo do século.
EDITOR DO MANUAL DE REDAÇÃO
Graciliano Ramos
O SINO CORREIO DA MANHÃ
Um dos textos mais enxutos da literatura brasileira, Graciliano Ramos
(1892-1953) escreveu para jornais já em Palmeiras dos Índios
(AL), onde nasceu, colaborando com O Sino. Era obcecado pela concisão
e, para alcançá-la, reescrevia seus textos até a última
hora. Já consagrado autor de São Bernardo, vigiava no Correio
a ortografia de estrelas como o crítico Álvaro Lins
e o ensaísta Otto Maria Carpeaux.
EDITOR DE ARTE E IMAGENS
Cândido portinari
ESTADÃO DIÁRIOS ASSOCIADOS
Maior pintor do Brasil, Cândido Portinari (1903-1962) levou suas
cores fortes e dramáticas para a redação. Colocou
seu domínio perfeito da técnica e sua capacidade de apreender
a alma da cena e dos personagens a serviço da ilustração
jornalística. Fez desenhos para as revistas dos Diários Associados,
sobretudo O Cruzeiro.
CHARGISTA
J. Carlos
O MALHO A NOITE
José Carlos de Brito e Cunha, o J. Carlos (1884-1950), é
o pai dos artistas gráficos da imprensa. Traço limpo, elegante,
refinado como Machado de Assis, popular como Lima Barreto, ele retratou
o país e as dificuldades do povo durante meio século com
charges, cartuns, ilustrações de todo o tipo. Apesar da censura
do Estado Novo (1937-1945), fez a festa com Getúlio Vargas.
REVISOR
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira
CORREIO DA MANHÃ DIÁRIOS ASSOCIADOS
"Quer dizer que vocês consultavam o Aurélio vivo?", espantou-se
uma jornalista que conversava com Antonio Calado sobre os bambambãs
do Correio da Manhã nos anos 40. Aurélio (1910-1989), o homem
que virou dicionário, era o colega ideal para se ter na mesa ao
lado na hora da dúvida idiomática tão comum
numa redação. Em O Jornal foi redator. No Correio da Manhã,
revisava a página de editoriais.
DIRETOR RESPONSÁVEL
Rui Barbosa
JORNAL DO BRASIL A IMPRENSA
O jurisconsulto e parlamentar baiano teve atuação significativa
na imprensa, fundando, dirigindo e alentando jornais com sua pregação
democrática. Rui Barbosa (1849-1923) estimulou a precária
democracia do seu tempo com teses ainda hoje revolucionárias, como
a do direito à rebelião num regime de opressão. Seria
um diretor-responsável muito competente para enfrentar causas que
ameaçassem a liberdade de imprensa.
repórteres
Alcântara Machado (1901-1935) — Atuou nos Diários Associados.
Seu espírito de observador refinado é visível no clássico
Brás, Bexiga e Barra Funda.
Alfredo D´Escragnolle Taunay (1843-1899) — Visconde, aristocrata
de formação francesa, foi correspondente na Guerra do Paraguai,
sobre a qual escreveu o jornalístico A retirada da Laguna.
Antonio Calado (1917-1997) — Texto soberbo, repórter minucioso,
fez carreira no Jornal do Brasil e no Correio da Manhã cobrindo
desde a fome no Nordeste a guerras no Oriente.
Borges da Fonseca (1808-1872) — Um dos maiores jornalistas do Império,
com os seus panfletários O Tribuno e o Repúblico. Metia-se
nos fatos como jornalista e protagonista.
Carlos Lacerda (1917-1977) — Fez uma carreira polêmica
no jornalismo, e projetou-se ainda mais na política. Tinha fama
de não fazer amigos na reportagem.
Euclides da Cunha (1866-1909) — Engenheiro militar e escritor, cobriu
a guerra de Canudos para o Estadão, em 1897, e abriu uma janela
para o Brasil com o livro Os sertões.
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