Correio
Reserva
No Boletim de número 19 (Ano III), relativo aos meses de novembro e dezembro de 1997, deste Instituto Gutenberg, nosso Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco foi citado em nota à página 9.
Antes de mais nada, gostaria de dizer-lhe que acompanho as edições deste Boletim do Instituto Gutenberg, e o classifico como um importante instrumento de análise e crítica do papel e da prática da mídia. O nosso País vinha carecendo de um veículo como este há muito tempo. Mesmo que em alguns momentos eu discorde de algumas análises contidas neste Boletim (na maioria das vezes eu concordo), considero este veículo um importante passo para garantirmos voz aos cidadãos perante esse monumental poder da mídia.
Bem, mas o que me faz enviar-lhe esta mensagem, diz respeito à nota contida naquele Boletim já mencionado acima. A nota faz referências ao boletim de nosso Sindicato, O Batente. Como a informação que saiu publicada no Batente fora mal escrita, ao ser retransmitida pelo Boletim do Instituto Gutenberg ela gerou análise incorreta para aqueles que a leram.
Na verdade, o que ocorreu foi que a prefeita de Olinda, Jacilda Urquisa, ao perder seu primeiro secretário de Imprensa, o jornalista Adécio Vasconcelos (que decidiu deixar o cargo para trabalhar numa emissora de tv local), resolveu colocar no lugar um educador,
ex-secretário de Educação do município. Acontece que em Pernambuco sempre lutamos para que os cargos de secretário de Imprensa no serviço público sejam ocupados por jornalistas profissionais. Pois, ao sabermos da nomeação feita pela prefeita de Olinda, fomos até ela para pedir-lhe que ela indicasse qualquer outro jornalista para o cargo, mas desde que fosse um profissional da área. Na ocasião, procuramos mostrar à prefeita que um jornalista cumpriria melhor a tarefa que cabe a um secretário de Imprensa. A prefeita, então, concordou conosco, e pediu apenas um tempo para fazer a nomeação de um jornalista para o cargo.
Portanto, quando ela fez a nomeação de um jornalista, cumprindo assim o compromisso assumido junto à diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, nós divulgamos o fato no nosso jornal, O Batente. Em momento algum, nossa entidade fez a indicação de nenhum nome para ocupar cargos públicos, muito menos o do jornalista Marcílio Brandão, atual secretário de Imprensa da Prefeitura de Olinda (como pareceu na nota editada pelo Boletim deste Instituto). O nosso Sindicato mantém uma postura de independência e autonomia em relação a todas as esferas do poder público. Nosso relacionamento com órgãos e autoridades governamentais se dá apenas em caráter institucional.
Grato pela atenção e estamos ao seu inteiro dispor para apoiar iniciativas como esta que é a edição deste competente Boletim do Instituto Gutenberg.
Rossini Barreira
Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco
Processo
Fazer imprensa no Acre é uma aventura. Uma aventura cara, por sinal. Além das constantes ameaças de morte, tiros em casas de colegas e intimidações, os jornalistas do Acre enfrentam sérios problemas no âmbito da Justiça. Esse é o caso específico dos jornalistas Antônio Stélio, Leonildo Rosas, Nena Mubárac e Tião Vitor (Página 20), processados pela desembargadora Eva Evangelista.
Os quatro respondem a processo por terem publicado a fraude no concurso para procurador de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE). O ilícito foi comprovado, tendo o concurso sido cancelado pelo procurador-geral do MPE, procurador Walter Limão Montilha.
Os colegas entendem que o processo está sendo dirigido no sentido de condená-los. Em função disso, peço a intervenção do colega para que não sejam cometidas injustiças. Nosso sindicato está se restruturando e precisa do apoio do colega nesse sentido.
Chico Araújo
Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre
Fiscais
Neste Brasil, acreditar em “quem fiscaliza quem” é um fato difícil de crédito, principalmente para quem tem um pouco de conhecimento sobre a realidade brasileira. O crédito para ser fiscal é um requesito fundamental porem raro de encontrar. A imprensa “fiscaliza” o que a ela interessa, o que dé ibope, o que vende. Com suas exceções, como em todos os segmentos da sociedade, a imprensa tambem faz parte do “pacote”.
Considero um ponto básico na ordenaçao do povo brasileiro o exemplo dado pelas chamadas “elites” , das quais o civismo, a democracia e a verdadeira cidadania possam de verdade existir.
Neste país, ninguém fiscaliza nada, exceto se houver algum interesse pessoal ou de um grupo.
Antonio de Carvalho Pereira
adecp@uol.com.br
Boletim nº 20 Janeiro-Fevereiro de 1998
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