O Datafolha, instituto
de pesquisa associado ao jornal Folha de S.Paulo, cometeu erros em todas
as pesquisas de intenção de voto, para governador de nove
estados e do Distrito Federal, realizadas dois dias antes da eleição
(veja a tabela). As pesquisas em questão,
últimas da série realizada nas dez unidades da federação
onde o Datafolha atuou, foram publicadas com destaque na Folha na véspera
e no dia da eleição. No quadro "A disputa para o governo
nos Estados", estampado na 1ª página do caderno Eleições
do dia 4, a Folha informou a seus leitores a porcentagem de votos válidos
que a pesquisa recolhera para 22 candidatos ao governo do Distrito Federal
e dos estados de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná,
Pernambuco, Bahia, Ceará e Santa Catarina. A pesquisa errou a votação
de 13 desses 22 candidatos.
Em três casos, além de tropeçar nos números,
embaralhou a ordem de colocação. Em São Paulo, o instituto
deu Francisco Rossi em segundo lugar, Covas em terceiro e Marta Suplicy
em quarto, mas, ao final, as urnas elevaram Marta para terceiro e rebaixaram
Rossi para quarto. Na Bahia, foi Zezéu (excluído do quadro)
e não João Durval que ficou em segundo lugar. No Distrito
Federal, Cristovam Buarque e não Joaquim Roriz venceu o 1.º
turno.
Mais: o Datafolha indicou que Anthony Garotinho venceria no 1.º
turno, no Rio, com 52% dos votos válidos, mas o candidato do PDT
estacou em 46,86% - uma diferença de cinco pontos, acima, portanto,
da margem de erro de 2 pontos percentuais. As pesquisas têm, sempre,
este refúgio estatístico: embutem a "margem de erro" na qual
sepultam sua imprecisão. Se um candidato aparece com 10% dos votos,
e a margem de erro é 2 pontos percentuais, isso quer dizer que a
pesquisa estará caso a votação do candidato flutue
entre 8 e 12%. Na maioria dos estados a margem de erro do Datafolha era
de 2 pontos, mas na Bahia, Pernambuco e Distrito Federal era maior: 3 pontos.
09/10/98